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A relação dos grandes escritores com as bebidas alcoólicas

Por Luisa Pereira

Da coluna Cultura
Artigo de responsabilidade do autor

Charles ­Bukowski, Jack Kerouac, Edgar Allan Poe e William Faulkner ficaram conhecidos também por seus hábitos alcoólicos

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ColunaCultura

Criatividade, estímulo ou fuga da realidade? O consumo de álcool sempre esteve atrelado aos grandes nomes da literatura mundial. Escritores dos mais diversos gêneros e períodos históricos, como Charles ­Bukowski, Jack Kerouac, Edgar Allan Poe e Stephen King, são exemplos que foram reconhecidos também por terem uma relação próxima com os copos de uísque ou cerveja.


Para investigar essa proximidade de autores com as bebidas, a jornalista e pesquisadora inglesa Olivia Laing analisou o comportamento exibido por seis escritores estadunidenses que eram alcoólatras: F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, John Cheever, John Berryman e Raymond Carver. Os resultados desse estudo foram publicados no livro “Viagem ao redor da garrafa: um ensaio sobre escritores e a bebida”.


Entre as histórias conhecidas desses escritores está a de que Fitz­gerald foi a uma festa de pijama, já que no convite estava descrito que o traje era informal, e a de que Hemingway passava uísque como loção pós-barba, porque gostava muito da bebida.


“Por que escritores bebem? Não há uma explicação única. É uma combinação de fatores”, afirma Olivia à revista Galileu. “Muitos deles, quando jovens, usavam o álcool como antídoto para a timidez, a ansiedade e a depressão. Depois, bebiam para enfrentar a pressão de serem famosos”, conclui.


O tema é objeto de estudos há algum tempo e é frequentemente tratado por médicos, jornalistas e historiadores. Em 1988, um dos primeiros estudos sobre a relação dos autores com as bebidas foi o do psiquiatra Donald W. Goodwin, da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos. A motivação dele surgiu quando descobriu que cinco dos sete estadunidenses que ganharam o Nobel de Literatura eram alcoólatras – entre eles, Sinclair Lewis, Eugene O’Neill, Ernest Hemingway, John Steinbeck e William Faulkner.


Os estudos abordam a questão da timidez e a solidão na vida dos autores. Esses fatores teriam corroborado para o alcoolismo, assim como uma predisposição genética, comprovada pelo psiquiatra Ernest Noble, do Centro de Pesquisas em Álcool da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e pelo farmacologista Kenneth Blum.


 “Não é à toa que o boteco sempre ajudou a fazer novos amigos, chorar o amor perdido e esquecer as dores da vida. Nele, a escrita chora pela ponta dos dedos”, afirma Daniel Lins, filósofo, sociólogo e psicanalista da Universidade Federal do Ceará.


Quanto ao aumento de criatividade, há indicativos de que as bebidas sejam um estímulo no momento da produção das fantasias. Um estudo realizado na Universidade de Illinois, em Chicago, mostrou que o consumo moderado pode fazer com que o cérebro fique mais inspirado para resolver problemas relativos à criatividade.


Para o presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, Jorge ­Jaber, a pessoa pode ficar mais sociável e responder rapidamente aos estímulos dados pelo ambiente com doses moderadas, mas o potencial criativo deste momento não é o suficiente para que grandes obras sejam elaboradas. “O sujeito pode improvisar um bom refrão, mas jamais vai compor uma obra-prima”, explica ele.


Entre os artistas brasileiros, Ruy Castro – sem beber há 27 anos – concorda que os autores seriam ainda mais geniais sem a bebida. “A bebida não impediu que escritores al­coólatras fossem geniais. Mas é provável que sem o álcool eles fossem mais geniais”, diz Castro.


O cartunista Jaguar, entretanto, discorda e relembra que grandes autores brasileiros também eram adeptos da prática, como Graciliano Ramos, Paulo Leminsky e Vinicius de Mo­raes. “A maioria das obras-primas da literatura universal não ­exis­tiria se os seus autores fossem abstêmios”, afirma ele.

 

 

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