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Mães são as mais afetadas pela sobrecarga psicológica da pandemia

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Acúmulo de responsabilidades com tarefas domésticas e cuidados com os filhos geram maiores taxas de sofrimento psicológico entre elas

Divulgação

ColunaBem-Estar

Um estudo do Centro de Pesquisa Econômica e Social da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, aponta que 32% das mulheres que são mães sentem-se mais esgotadas psicologicamente depois que a quarentena começou. Entre as mulheres que não possuem filhos, a taxa foi de 30%, enquanto em relação aos homens – pais ou não – o índice se manteve em 19%.


A divergência pode estar atrelada ao aumento de responsabilidades domésticas e de cuidados pessoais do período. Os dados mostram que, em abril, 44% das mulheres participantes relataram ser o único membro da família que estava sempre à disposição dos filhos. Em relação aos homens, a taxa foi de 14%. Entre os adultos que trabalham, seja em casa ou não, uma em cada três mulheres presta assistência aos filhos sozinha, ao mesmo tempo em que um em cada dez pais faz o mesmo.


"Considerando que as mulheres já carregavam um fardo maior para cuidar de crianças antes da pandemia, não surpreende que as demandas sejam agora ainda maiores", diz, em nota, Gema Zamarro, economista e principal autora do estudo. "No geral, isso também prejudicou a saúde mental das mulheres, principalmente as que têm filhos", complementa.


De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, as mulheres dedicam, em média, 18,5 horas semanais às tarefas domésticas e cuidados com as pessoas residentes no mesmo lar, ainda que mantivessem um emprego. Na ocasião, os homens gastavam cerca de 10,3 horas semanais com essas questões.


Além disso, as mulheres são as que mais tem sofrido com o desemprego durante a pandemia, principalmente as com menos escolaridade. No período, foi possível observar uma queda de 15 pontos percentuais na taxa de empregabilidade delas em comparação a março. Em menor escala, o índice dos homens sem diploma universitário caiu 11 pontos.


Segundo Zamarro, há diversos fatores que colaboraram para esse resultado. Em primeiro lugar, a crise de saúde atingiu primeiro os locais em que essas mulheres trabalhavam, como os restaurantes e hotéis, que precisam ficar fechados para evitar a propagação do vírus e, consequentemente, as demissões foram feitas como forma de enxugar os custos. Em seguida, o fechamento de escolas e creches dificultou ainda mais a rotina dessas mulheres, que, sem poder contar com a ajuda de familiares, devido ao distanciamento social, ficou sobrecarregada.

Sequelas do período
O esgotamento psicológico prolongado por meses pode gerar ansiedade e depressão. Por isso, é importante buscar por profissionais formados na faculdade de Psicologia. Nesse sentido, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimentos de apoio emocional gratuitos e conta com uma rede 24h para a prevenção de suicídio.


A ONU Mulheres divulgou, em março, um documento com recomendações para que os impactos da Covid-19 na América Latina e no Caribe sejam menores. No texto há detalhes como “promover estratégias específicas para o empoderamento e a recuperação econômica das mulheres, considerando programas de transferência de renda, para mitigar o impacto da pandemia e suas medidas de contenção”. Além disso, também chamou a atenção aos casos de violência doméstica – em alta desde o início do isolamento.

 

 

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